terça-feira, 16 de abril de 2019
A Última Semana de Jesus - Trailer
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Jesus cínico ou estoico?
O cinismo, o estoicismo e a ética de
Jesus
Algumas notas
A ética de
Jesus apresenta algumas similaridades com o cinismo e o estoicismo. Já se
discutiu a semelhança de Jesus com um mestre cínico, assim como é possível
verificar uma influência estóica nas cartas paulinas. É difícil determinar
essas influências, mas podemos falar em termos de semelhanças:
1. Cristianismo
e estoicismo
a.
Cristianismo
e estoicismo exortam as pessoas a servirem ao ser supremo;
b.
Ambos
valorizam a pureza interior em detrimento das aparências;
c.
Ambos
exortam que as pessoas precisam servir a humanidade inteira e não apenas sua
tribo;
d.
Ambos
falam do autodomínio das emoções. A diferença é que o cristianismo não impõe
limite ao amor.
2. Cristianismo e cinismo
2. Cristianismo e cinismo
a.
Ambos
criticam a exaltação das riquezas e das honrarias;
b.
Pegam
uma vida simples e de desapego;
c.
Criticam
as convenções sociais;
d. A diferença é que a ação moral do
cinismo busca a natureza e o cristianismo, a vida eterna.
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
A report about Early Christianity Studies
THE IMPORTANCE OF RELIGIOUS
STUDIES IN THE FIELD OF EARLY CHRISTIANITY
José Aristides da Silva
Gamito
The Christianity deeply marked the history of the
Western civilization. The understanding of this religious movement depends on a
specific research. Many academic papers are published each year in the field of
Early Christianity. In the Religious Studies, the early Christian literature
provides important sources for the knowledge of ideas, behaviors and ritual and
the roots of this religion.
The Early Christian Literature involves the literary
compositions written from the 1st century until the fourth ones. Beyond the New
Testament, there are hundreds of Christian texts from this period. Biblical
scholars expanded the New Testament Research with the contribution of the archaeological
findings of Oxyrhynchus and Nag Hammadi. An important step in this research is
the inclusion of apocryphal books in this field. For many centuries the
apocryphal texts were regarded as heretical teachings. When the academy became
independent with the secularization of theological studies was possible to
study these texts without ecclesiastical censure.
My area of interest is the Gospel of Thomas Studies. During
my Master’s degree studies in Religious Studies, I searched the identity of
Jesus in that Gospel. Since 2016, I published some papers about the theme. And I
developed the blog Luminare for
posting texts about this studies field. In Youtube, I created the serie
Christianitates with videos about the Early Christian Literature.
In a paper entitled “Discussing the literary genre of
the Gospel of Thomas: the Gospels of sentences”[1], I
discussed:
The literary genre “gospel” comprises four
kinds: Gospels of Sentences, of Dialogues, of Narratives and of Discourses. The
Gospel of Thomas is a gospel of sentences and it portrays the earliest textual form
in the history of the transmission of the teachings of Jesus. The these
traditions.
In a
second paper entitled “Women in the Gospel of Thomas: An analysis of gender
question in logion 114”, I discussed the rejection of Mary Magdelene within the
circle of disciples of Jesus.
Finally,
I made three presentations at Faculdade Unida de Vitória on the following
subjects: The identity of Jesus in the Gospel of Thomas, anthropological and cosmological
middle Platonic marks in the Gospel of Thomas and a literature around the name
of Judas Thomas.
[1]
GAMITO, José Aristides da
Silva. Discutindo o gênero literário do Evangelho de Tomé: os Evangelhos de
sentenças. Reflexus, ano 12, n. 20,
2018, p. 419-435.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Um perfil da pesquisa em Ciências das Religiões: Artigos publicados nos anos 2017 e 2018
Os temas comuns são da literatura do cristianismo
primitivo como o Evangelho de Tomé e seu pensamento, a ética e a sociedade das
primeiras comunidades e questões diversas de uso da literatura religiosa na
evolução e no comportamento social e cultural da atualidade sob influência das ideias do cristianismo:
1. GAMITO, José
Aristides da Silva. Hábito de leitura da
Bíblia: Um legado da Reforma Protestante e o surgimento do Mobon na Diocese
de Caratinga (MG). SACRILEGENS, v. 14, p. 65-74, 2018.
2. GAMITO, José
Aristides da Silva. Violência e gênero
no texto bíblico: O silenciamento das mulheres na Primeira Epístola de
Timóteo 2, 9-15. Unitas ? Revista Eletrônica de Teologia e Ciências das
Religiões, v. 6, p. 1-12, 2018.
3. GAMITO, JOSÉ
ARISTIDES DA SILVA. Discutindo o gênero
literário do Evangelho de Tomé: Os Evangelhos de Sentenças. REFLEXUS:
REVISTA SEMESTRAL DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES, v. 12, p. 419-435,
2018.
4. Aroldo Mira Pereira;
JESUS, Ludson Gonçalves de; MENDES, Adonai Moura; SANTOS, Leonardo Henrique;
SENA, Marcus Vinicius Leão; GAMITO, José Aristides da Silva. . A Leitura da Bíblia no Pentecostalismo a
partir da Estética da Recepção. Unitas ? Revista Eletrônica de Teologia e
Ciências das Religiões, v. 5, p. 2-11, 2017.
5. GAMITO, José
Aristides da Silva. A mulher no
Evangelho de Tomé: Uma análise da questão de gênero a partir do logion 114.
Unitas ? Revista Eletrônica de Teologia e Ciências das Religiões, v. 5, p.
180-189, 2017.
6. GAMITO, José
Aristides da Silva. Uma teodiceia
ireneana: As contribuições de John Hick acerca do problema do mal. REVISTA
BRASILEIRA DE FILOSOFIA DA RELIGIÃO, v. 4, p. 51-59, 2017.
Os textos podem ser
encontrados na Academia.edu.
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Evangelhos - linha do tempo
CRONOLOGIA DA REDAÇÃO DOS EVANGELHOS
|
Evangelho
|
Língua original
|
Data
|
Proveniência
|
|
Marcos
|
Grego
|
50-75
|
Síria
|
|
Mateus
|
Grego
|
70
|
Palestina
|
|
Lucas
|
Grego
|
80-90
|
Síria
|
|
João
|
Grego
|
90-110
|
Éfeso
|
|
Tomé
|
Grego
|
100-150?
|
Síria
|
|
Pedro
|
Grego
|
150
|
Síria?
|
|
Hebreus
|
Grego
|
100-150
|
Egito
|
|
Nazarenos
|
Aramaico/Siríaco
|
100-150
|
Síria
|
|
Ebionitas
|
Grego
|
100-150
|
Transjordânia?
|
|
Egípcios
|
Grego
|
100-150?
|
Egito
|
|
Marcos
Apócrifo
|
Grego
|
?
|
Egito
|
|
Protoev.
de Tiago
|
Grego
|
150-200
|
Síria
|
|
Judas
|
Grego
|
final
do século II?
|
Egito
|
|
Tomé
da Infância
|
Grego
|
final
do século II
|
?
|
|
Filipe
|
Grego
|
200-250?
|
Síria?
|
Nas
referências para os evangelhos apócrifos seguimos:
SMITH, Murray J.
The Gospels in Early Christian Literature. p. 190.
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Setianismo e valentinianismo
A
LITERATURA VALENTINIANA E SETIANA
José Aristides da Silva Gamito
O cristianismo primitivo era dividido em
vários grupos, dentre eles estavam os valentinianos e os setianos. A
importância de se estudar esses dois cristianismos é a literatura que deixaram.
As duas fontes privilegiadas para o conhecimento das crenças dos setianos e dos
valetinianos são as informações dos padres apologistas e dos códices
descobertos em 1945 em Nag Hammadi no Egito.
Os padres apologistas apresentam suas
ideias como doutrinas falsas, como “heresias”, portanto, é uma biografia
contada pelos inimigos. Os textos de Nag Hammadi vieram contrabalancear essas
informações, trazendo a voz dos próprios cristãos gnósticos. O cristianismo antigo
era mais complexo do que se imagina. A posição ortodoxa sobrevivente é que
contou a sua versão e a autenticou. Para fins acadêmicos, se quisermos
pesquisar o cristianismo primitivo enquanto fenômeno cultural, temos de
revisitar essas vozes silenciadas.
Apresentamos, portanto, os traços
característicos e as obras principais das literaturas setiana e valentiana.
Literatura Setiana
Os textos setianos são marcados pela
ênfase na história dos descendentes de Set; a doutrina da sabedoria divina, sua
queda e restauração; rito batismal; especulações que relacionam Cristo com Set
e com Adão e uma visão do mundo de fundo platônico.
As obras setianas foram compostas num
período entre 100 a 250. Segundo John
Turner, o setianismo que era uma seita já existente, se cristianizou no século
II. Eles identificaram o conceito de Logos com Cristo. Esta noção aparece no
Evangelho canônico de João. As obras
refletem esta doutrina sobre Cristo: O Evangelho dos Egípcios, o Apócrifo de
João, a Protennoia Trimórfica e Melquisedec.
O Apocalipse
de Adão reflete a doutrina setiana do batismo. A contemplação e o êxtase
místico são temas das obras Zostrianos,
Marsenes, Allogenes e As Três
Estelas de Set.
Literatura valentiniana
As obras que remontam ao próprio
iniciador do cristianismo valentiniano são o Evangelho da Verdade, os Salmos, a Epístola de Agatópus, a Espístola
dos Anexos, Sobre os Amigos, Sobre as Três Naturezas e Sophia. Há entre
estes também o Evangelho de Filipe e a
Epístola de Pedro a Filipe. Vários autores valetinianos deixaram suas
obras, chegando a constituir uma escola literária como Ptolomeu, Heracleão,
Marcos, Teódoto, Florino e Teótimo.
Este movimento foi atuante até o
século IV. Essas obras contêm uma complexa mitologia na qual aparece as figuras
de Cristo e da Sabedoria Divina. Para os valentinianos, Cristo era filho da
Sabedoria Divina.
Considerações gerais
Segundo Bart Ehrman, o gnosticismo
influenciou doutrinas cristãs que se tornaram ortodoxas. A doutrina da Trindade
tem similaridades com a crença gnóstica de várias personalidades para Deus, a
noção de integração entre mundo natural e sobrenatural, a ideia de Deus como
uma pessoa relacional. Algumas dessas doutrinas são recepções ortodoxas de
ideias gnósticas ou são defesas de cosmovisões gnósticas.
Portanto, a compreensão do
cristianismo como um fenômeno social, cultural e histórico depende também
dessas fontes gnósticas. Esta é a nossa contribuição para estimular o estudo da
literatura do cristianismo primitivo.
Referências
ERHMAN, Bart. The
Orthodox Corruption of Scripture. NY: Oxford University Press, 1993.
TURNER, John. Sethian
Gnosticism: A literary history. S.d.e.
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Série Christianitates - Os cristianismos antigos 09
OS
CRISTIANISMOS ANTIGOS
José
Aristides da Silva Gamito
A concepção de um
cristianismo único e homogêneo soa como um mito quando falamos do cristianismo
dos primeiros séculos. As diferenças doutrinárias entre os diversos grupos, os
costumes das diferentes regiões do Império Romano, tudo nos leva a desenhar um
quadro desta religião como multifacetária. As comunidades cristãs antigas
apresentavam variadas formas de vivenciar o cristianismo.
Os primeiros
missionários levaram o cristianismo para as diversas províncias do
Império Romano. Entre fins do século II
a início do século III, já havia cristãos na Espanha. Isso representa o extremo
da expansão do movimento. Toda esta extensão territorial e esta variedade
cultural geraram muitas polêmicas entre cristãos ortodoxos e heterodoxos. Os
autores antigos como Hipólito de Roma, Ireneu de Lião e Epifânio de Esmirna
escreveram críticas duras a pessoas que pregavam doutrinas diferentes e
formavam comunidades independentes.
Os
cristianismos antigos
Os principais grupos cristãos antigos
são:
Gnosticismo:
É uma corrente cristã que considerava que a salvação se dava pelo conhecimento.
Um dos cristãos gnósticos mais influentes foi Valentim de Alexandria (+160). O gnosticismo
compreendia vários grupos.
Valentianismo:
É um dos ramos mais notáveis do gnosticismo fundado por Valentim de Alexandria.
Encratismo:
É um cristianismo com práticas rigorosas como o vegetarianismo, a sobriedade alcoólica
e o celibato.
Ebionismo:
Era um grupo cristão que observava muitos pontos da lei judaica e negava a preexistênica
de Jesus.
Carpocriacianismo:
É um movimento cristão do século II iniciado por Carpócrates de Alexandria que considerava
Jesus como filho biológico de José e rejeitava o Antigo Testamento.
Setianismo:
É um movimento cristão que identificava Cristo com Seth e deixou uma extensa literatura
inclusive textos apócrifos.
Marcionismo:
Era um movimento cristão de base paulina, rejeitava o Antigo Testamento, tinha
uma edição própria de Evangelho e uma moral severa.
Maniqueísmo:
Era um grupo que acreditava que o universo era composto por um reino do bem e outro
do mal, acreditavam num Cristo celestial.
Considerações
gerais
Houve divisão entre os
cristãos quanto à relação entre a Lei e a graça, quanto à aceitação do Antigo
Testamento, quanto à natureza de Cristo. Foram dezenas de temas que geraram
divisões. Epifânio de Salamina elenca em sua obra Panarion cerca de 25 grupos
cristãos heterodoxos.
As controvérsias sobre
a identidade de Cristo foram um dos temas que mais gerou divisões, as chamadas
“controvérsias cristológicas”. Os concílios que aconteceram a partir do século
III tinham como objetivo superar essas divisões através de normatizações e
declarações de dogmas para toda a Igreja.
Por esta razão, os
estudiosos Walter Bauer e Bart Ehrman consideram que o cristianismo primitivo
era um conjunto de cristianismos. Havia várias versões das crenças cristãs. O
que fizeram os concílios do século II ao século IV foi tentar homogeneizar uma
vertente dogmática-padrão, “a ortodoxia católico-ortodoxa”.
Esta ortodoxia foi expressa pelos
concílios ecumênicos. A maioria dos cristianismos heterodoxos, chamados de
“heresias”, acabou não sobrevivendo.
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