terça-feira, 15 de janeiro de 2019

A report about Early Christianity Studies


THE IMPORTANCE OF RELIGIOUS STUDIES IN THE FIELD OF EARLY CHRISTIANITY

José Aristides da Silva Gamito

The Christianity deeply marked the history of the Western civilization. The understanding of this religious movement depends on a specific research. Many academic papers are published each year in the field of Early Christianity. In the Religious Studies, the early Christian literature provides important sources for the knowledge of ideas, behaviors and ritual and the roots of this religion.
The Early Christian Literature involves the literary compositions written from the 1st century until the fourth ones. Beyond the New Testament, there are hundreds of Christian texts from this period. Biblical scholars expanded the New Testament Research with the contribution of the archaeological findings of Oxyrhynchus and Nag Hammadi. An important step in this research is the inclusion of apocryphal books in this field. For many centuries the apocryphal texts were regarded as heretical teachings. When the academy became independent with the secularization of theological studies was possible to study these texts without ecclesiastical censure.
My area of interest is the Gospel of Thomas Studies. During my Master’s degree studies in Religious Studies, I searched the identity of Jesus in that Gospel. Since 2016, I published some papers about the theme. And I developed the blog Luminare for posting texts about this studies field. In Youtube, I created the serie Christianitates with videos about the Early Christian Literature.
In a paper entitled “Discussing the literary genre of the Gospel of Thomas: the Gospels of sentences”[1], I discussed:

 The literary genre “gospel” comprises four kinds: Gospels of Sentences, of Dialogues, of Narratives and of Discourses. The Gospel of Thomas is a gospel of sentences and it portrays the earliest textual form in the history of the transmission of the teachings of Jesus. The these traditions.

            In a second paper entitled “Women in the Gospel of Thomas: An analysis of gender question in logion 114”, I discussed the rejection of Mary Magdelene within the circle of disciples of Jesus.
            Finally, I made three presentations at Faculdade Unida de Vitória on the following subjects: The identity of Jesus in the Gospel of Thomas, anthropological and cosmological middle Platonic marks in the Gospel of Thomas and a literature around the name of Judas Thomas.


[1] GAMITO, José Aristides da Silva. Discutindo o gênero literário do Evangelho de Tomé: os Evangelhos de sentenças. Reflexus, ano 12, n. 20, 2018, p. 419-435.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Um perfil da pesquisa em Ciências das Religiões: Artigos publicados nos anos 2017 e 2018


      Os temas comuns são da literatura do cristianismo primitivo como o Evangelho de Tomé e seu pensamento, a ética e a sociedade das primeiras comunidades e questões diversas de uso da literatura religiosa na evolução e no comportamento social e cultural da atualidade sob influência das ideias do cristianismo:

1. GAMITO, José Aristides da Silva. Hábito de leitura da Bíblia: Um legado da Reforma Protestante e o surgimento do Mobon na Diocese de Caratinga (MG). SACRILEGENS, v. 14, p. 65-74, 2018.

2. GAMITO, José Aristides da Silva. Violência e gênero no texto bíblico: O silenciamento das mulheres na Primeira Epístola de Timóteo 2, 9-15. Unitas ? Revista Eletrônica de Teologia e Ciências das Religiões, v. 6, p. 1-12, 2018.

3. GAMITO, JOSÉ ARISTIDES DA SILVA. Discutindo o gênero literário do Evangelho de Tomé: Os Evangelhos de Sentenças. REFLEXUS: REVISTA SEMESTRAL DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES, v. 12, p. 419-435, 2018.

4. Aroldo Mira Pereira; JESUS, Ludson Gonçalves de; MENDES, Adonai Moura; SANTOS, Leonardo Henrique; SENA, Marcus Vinicius Leão; GAMITO, José Aristides da Silva. . A Leitura da Bíblia no Pentecostalismo a partir da Estética da Recepção. Unitas ? Revista Eletrônica de Teologia e Ciências das Religiões, v. 5, p. 2-11, 2017.

5. GAMITO, José Aristides da Silva. A mulher no Evangelho de Tomé: Uma análise da questão de gênero a partir do logion 114. Unitas ? Revista Eletrônica de Teologia e Ciências das Religiões, v. 5, p. 180-189, 2017.

6. GAMITO, José Aristides da Silva. Uma teodiceia ireneana: As contribuições de John Hick acerca do problema do mal. REVISTA BRASILEIRA DE FILOSOFIA DA RELIGIÃO, v. 4, p. 51-59, 2017.

Os textos podem ser encontrados na Academia.edu.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Evangelhos - linha do tempo


CRONOLOGIA DA REDAÇÃO DOS EVANGELHOS

Evangelho
Língua original
Data
Proveniência
Marcos
Grego
50-75
Síria
Mateus
Grego
70
Palestina
Lucas
Grego
80-90
Síria
João
Grego
90-110
Éfeso
Tomé
Grego
100-150?
Síria
Pedro
Grego
150
Síria?
Hebreus
Grego
100-150
Egito
Nazarenos
Aramaico/Siríaco
100-150
Síria
Ebionitas
Grego
100-150
Transjordânia?
Egípcios
Grego
100-150?
Egito
Marcos Apócrifo
Grego
?
Egito
Protoev. de Tiago
Grego
150-200
Síria
Judas
Grego
final do século II?
Egito
Tomé da Infância
Grego
final do século II
?
Filipe
Grego
200-250?
Síria?

Nas referências para os evangelhos apócrifos seguimos:

SMITH, Murray J. The Gospels in Early Christian Literature. p. 190.


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Setianismo e valentinianismo


A LITERATURA VALENTINIANA E SETIANA

José Aristides da Silva Gamito


O cristianismo primitivo era dividido em vários grupos, dentre eles estavam os valentinianos e os setianos. A importância de se estudar esses dois cristianismos é a literatura que deixaram. As duas fontes privilegiadas para o conhecimento das crenças dos setianos e dos valetinianos são as informações dos padres apologistas e dos códices descobertos em 1945 em Nag Hammadi no Egito.
Os padres apologistas apresentam suas ideias como doutrinas falsas, como “heresias”, portanto, é uma biografia contada pelos inimigos. Os textos de Nag Hammadi vieram contrabalancear essas informações, trazendo a voz dos próprios cristãos gnósticos. O cristianismo antigo era mais complexo do que se imagina. A posição ortodoxa sobrevivente é que contou a sua versão e a autenticou. Para fins acadêmicos, se quisermos pesquisar o cristianismo primitivo enquanto fenômeno cultural, temos de revisitar essas vozes silenciadas.
Apresentamos, portanto, os traços característicos e as obras principais das literaturas setiana e valentiana.

Literatura Setiana

Os textos setianos são marcados pela ênfase na história dos descendentes de Set; a doutrina da sabedoria divina, sua queda e restauração; rito batismal; especulações que relacionam Cristo com Set e com Adão e uma visão do mundo de fundo platônico.
As obras setianas foram compostas num período entre 100 a 250.  Segundo John Turner, o setianismo que era uma seita já existente, se cristianizou no século II. Eles identificaram o conceito de Logos com Cristo. Esta noção aparece no Evangelho canônico de João.  As obras refletem esta doutrina sobre Cristo: O Evangelho dos Egípcios, o Apócrifo de João, a Protennoia Trimórfica e Melquisedec.
O Apocalipse de Adão reflete a doutrina setiana do batismo. A contemplação e o êxtase místico são temas das obras Zostrianos, Marsenes, Allogenes e As Três Estelas de Set.

Literatura valentiniana

            As obras que remontam ao próprio iniciador do cristianismo valentiniano são o Evangelho da Verdade, os Salmos, a Epístola de Agatópus, a Espístola dos Anexos, Sobre os Amigos, Sobre as Três Naturezas e Sophia. Há entre estes também o Evangelho de Filipe e a Epístola de Pedro a Filipe. Vários autores valetinianos deixaram suas obras, chegando a constituir uma escola literária como Ptolomeu, Heracleão, Marcos, Teódoto, Florino e Teótimo.
            Este movimento foi atuante até o século IV. Essas obras contêm uma complexa mitologia na qual aparece as figuras de Cristo e da Sabedoria Divina. Para os valentinianos, Cristo era filho da Sabedoria Divina.

Considerações gerais

            Segundo Bart Ehrman, o gnosticismo influenciou doutrinas cristãs que se tornaram ortodoxas. A doutrina da Trindade tem similaridades com a crença gnóstica de várias personalidades para Deus, a noção de integração entre mundo natural e sobrenatural, a ideia de Deus como uma pessoa relacional. Algumas dessas doutrinas são recepções ortodoxas de ideias gnósticas ou são defesas de cosmovisões gnósticas.
            Portanto, a compreensão do cristianismo como um fenômeno social, cultural e histórico depende também dessas fontes gnósticas. Esta é a nossa contribuição para estimular o estudo da literatura do cristianismo primitivo.

Referências
ERHMAN, Bart. The Orthodox Corruption of Scripture. NY: Oxford University Press, 1993.
TURNER, John. Sethian Gnosticism: A literary history. S.d.e.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Série Christianitates - Os cristianismos antigos 09




OS CRISTIANISMOS ANTIGOS

José Aristides da Silva Gamito

A concepção de um cristianismo único e homogêneo soa como um mito quando falamos do cristianismo dos primeiros séculos. As diferenças doutrinárias entre os diversos grupos, os costumes das diferentes regiões do Império Romano, tudo nos leva a desenhar um quadro desta religião como multifacetária. As comunidades cristãs antigas apresentavam variadas formas de vivenciar o cristianismo.
Os primeiros missionários levaram o cristianismo para as diversas províncias do
Império Romano. Entre fins do século II a início do século III, já havia cristãos na Espanha. Isso representa o extremo da expansão do movimento. Toda esta extensão territorial e esta variedade cultural geraram muitas polêmicas entre cristãos ortodoxos e heterodoxos. Os autores antigos como Hipólito de Roma, Ireneu de Lião e Epifânio de Esmirna escreveram críticas duras a pessoas que pregavam doutrinas diferentes e formavam comunidades independentes.

Os cristianismos antigos

Os principais grupos cristãos antigos são:

Gnosticismo: É uma corrente cristã que considerava que a salvação se dava pelo conhecimento. Um dos cristãos gnósticos mais influentes foi Valentim de Alexandria (+160). O gnosticismo compreendia vários grupos.
Valentianismo: É um dos ramos mais notáveis do gnosticismo fundado por Valentim de Alexandria.
Encratismo: É um cristianismo com práticas rigorosas como o vegetarianismo, a sobriedade alcoólica e o celibato.
Ebionismo: Era um grupo cristão que observava muitos pontos da lei judaica e negava a preexistênica de Jesus.
Carpocriacianismo: É um movimento cristão do século II iniciado por Carpócrates de Alexandria que considerava Jesus como filho biológico de José e rejeitava o Antigo Testamento.

Setianismo: É um movimento cristão que identificava Cristo com Seth e deixou uma extensa literatura inclusive textos apócrifos.
Marcionismo: Era um movimento cristão de base paulina, rejeitava o Antigo Testamento, tinha uma edição própria de Evangelho e uma moral severa.
Maniqueísmo: Era um grupo que acreditava que o universo era composto por um reino do bem e outro do mal, acreditavam num Cristo celestial.

Considerações gerais

Houve divisão entre os cristãos quanto à relação entre a Lei e a graça, quanto à aceitação do Antigo Testamento, quanto à natureza de Cristo. Foram dezenas de temas que geraram divisões. Epifânio de Salamina elenca em sua obra Panarion cerca de 25 grupos cristãos heterodoxos.
As controvérsias sobre a identidade de Cristo foram um dos temas que mais gerou divisões, as chamadas “controvérsias cristológicas”. Os concílios que aconteceram a partir do século III tinham como objetivo superar essas divisões através de normatizações e declarações de dogmas para toda a Igreja.
Por esta razão, os estudiosos Walter Bauer e Bart Ehrman consideram que o cristianismo primitivo era um conjunto de cristianismos. Havia várias versões das crenças cristãs. O que fizeram os concílios do século II ao século IV foi tentar homogeneizar uma vertente dogmática-padrão, “a ortodoxia católico-ortodoxa”.
Esta ortodoxia foi expressa pelos concílios ecumênicos. A maioria dos cristianismos heterodoxos, chamados de “heresias”, acabou não sobrevivendo.


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Alexandria - Antioquia e Cesareia


AS GRANDES ESCOLAS TEOLÓGICAS DA ANTIGUIDADE II


SEDE
FUNDADOR
DIRETORES
ALUNOS DE DESTAQUE
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
Alexandria
Panteno (+200)
Clemente de Alexandria (150-215)

Orígenes (185-253)

Dionísio de Alexandria (+265)

Teognosto (+ 282)

Pierio (+310)

Dídimo, o Cego (313-398
Atanásio (296-373)

Cirilo (376-444)

Apolinário de Laodiceia (310-390)

Jerônimo (345-420)

Rufino de Aquileia (344-410)
ü   Grande influência do platonismo: o mundo visível é uma cópia do mundo real das ideias; e da síntese de Fílon entre filosofia, como método de interpretação e revelação.
ü   Forte tendência à interpretação alegórica das Escrituras (especialmente sob Orígenes).
ü   Sua doutrina do Logos, como uma ponte entre Deus e o mundo, é uma tentativa de reconciliar o evangelho com a filosofia grega.
ü   Tendência para exaltar o elemento divino em Cristo à custa de sua humanidade.
ü   Defesa firme do título theotokos (Mãe de Deus) aplicada a Maria.
ü   Confrontado com a escola de Antioquia, que a acusou de carnal por aderir à letra da Escritura.
Antioquia da Síria
Malquião (+ 270)
Diodoro de Tarso (+394)
Luciano de Antioquia (+312)

Ário (256-336)

Eusébio de Nicomédia (+342)

Isidoro de Pelúsio (+435)

João Crisóstomo (347-407)

Teodoro de Mopsuéstia (350-428)

Teodoreto de Ciro (393-458)

Nestório (381-c.450)
ü  Forte tendência à interpretação histórico-gramatical das Escrituras.
ü  Grande interesse na humanidade de Cristo e no Jesus histórico.
ü  Relutante em usar o título Theotokos (Mãe de Deus) aplicado a Maria.
ü  Ênfase em teologia pastoral e exegese científica.
ü  Confrontado com a escola de Alexandria, que ele acusou de destruir o valor histórico da Bíblia, transformando-o em mitologia.
ü  Atingiu seu apogeu no século IV.
Cesareia da Terra Santa
Orígenes (185-253)
Pânfilo (+310)
Gregório, o Taumaturgo (213-270)

Eusébio de Cesareia (263-339)

Basílio, o Grande (329-279)

Gregório de Nissa (330-394)

Gregório de Nazianzo (330-390)
ü  Continuava a linha de Alexandria, porém, mais moderada.

Referência
Las grandes escuelas teológicas de la antiguedad. Disponível em: <https://www.iglesiapueblonuevo.es/index.php?codigo=historiap85<. Acesso em 17 ago. 2018.