quinta-feira, 30 de julho de 2020

Novo artigo sobre a relação entre o cristianismo primitivo e o hermetismo

A RELAÇÃO ENTRE HERMETISMO E CRISTIANISMO PRIMITIVO: UMA ANÁLISE DE CRENÇAS HERMÉTICAS NO EVANGELHO DE TOMÉ

Resumo:

A relação e a possível influência do hermetismo no cristianismo primitivo podem ser verificadas em alusões e em relações intertextuais entre o Evangelho de Tomé e as obras: a coleção de tratados intitulada Corpus Hermeticum e Um Livro Sagrado de Hermes Trismegisto a Asclépio. O mencionado evangelho apócrifo compartilha um material semelhante aos evangelhos canônicos, porém, apresenta as marcas de uma fonte altamente mística e que pode ter sido uma coleção de sentenças herméticas. Neste artigo, discutiremos os temas do autoconhecimento e da ascensão celestial como crenças comuns entre os textos herméticos e o Evangelho de Tomé.

Palavras-chave: Evangelho de Tomé; Hermetismo; Autoconhecimento; Ascensão celestial.

Citação:

GAMITO, José Aristides da Silva. A relação entre hermetismo e cristianismo primitivo: uma análise de crenças herméticas no Evangelho de Tomé. PROTESTANTISMO EM REVISTA, v. 45, p. 124-133, 2019.


terça-feira, 23 de junho de 2020

Educação filosófica em tempos de incerteza


TEVE INÍCIO NESTA SEGUNDA-FEIRA A I SEMANA ONLINE DE FILOSOFIA

Com o objetivo de popularizar a filosofia e oferecer oportunidades gratuitas de aperfeiçoamento cultural, os professores de filosofia Eldécio Luiz da Silva, José Aristides da Silva Gamito e Vinícius Melo se reuniram para organizar um evento online, a I Semana Online de Filosofia, com a Associação Sociocultural Concipa. A semana tem um tema geral que é “Educação filosófica em tempos de incerteza”. Ela acontece de segunda até sábado, de 22 a 27 de junho, com as conferências transmitidas por lives na página do facebook Filosofia Hodierna.
Abriu a semana nesta segunda-feira o professor José Aristides da Silva Gamito, de Conceição de Ipanema, com o tema “Os desdobramentos sociopolíticos de uma ética do corpo a partir de Epicuro de Samos”. Confira toda a programação do resto da semana: No dia 23, professor Eldécio Luiz da Silva, de Inhapim, apresenta a conferência “A angústia para o despertar da existência autêntica em Heidegger.”
No dia 24, professor Vinícius Melo, de Carangola, desenvolve o tema: “Elucubrações platônicas: Uma analogia entre a alegoria da caverna e o estado de isolamento social.” No dia 25, professor Wanderson Fernandes de Oliveira, de Santa Magarida, traz como tema: “Uma pitada de filosofia: De uma escrava que se tornou santa.” No dia 26, professor Romildo Alves, de Pocrane, apresenta: “Filosofia, educação e psicanálise.”
A semana se encerra no sábado, às 19 horas, com o professor Luís Carlos Pinto, de Guanhães, com o tema: “Byung-Chul Han e a Sociedade do desempenho: uma reflexão sobre o trabalho docente em tempos de pandemia.” Todas as lives podem ser acompanhadas na página do facebook: https://www.facebook.com/filosofiahodierna. Quem não conseguir assistir ao vivo, poderá fazê-lo no dia seguinte no Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC65dvdFmIs0MpvT8PqYRMOg?view_as=subscriber.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Influência das éticas helenistas no Cohélet?


APROXIMAÇÕES ESTOICAS E EPICÚREAS DO COHÉLET

Muitas especulações foram feitas a respeito da temática comum do livro do Antigo Testamento, o Cohélet ou Eclesiastes, e a filosofia helenista. É difícil demonstrar uma influência de filósofos gregos direta sobre o autor deste livro. Embora, a data mais recente para a sua composição, de 350 a 180 antes de Cristo[1], coincida com um período de influência helenista sobre Israel. Mas outras datas mais antigas são propostas. As éticas helenistas se inserem na tradição filosófica grega e o Cohélet, na Hokhmah, a tradição sapiencial judaica. Neste texto, vou considerar apenas uma coincidência de temas.
O livro do Cohélet tem muitas idéias afins ao estoicismo e a o epicurismo. Mas também com o ceticismo de Arcesilau e com os filósofos cínicos.[2] Vamos identificar alguns temas do Cohélet e sua relação com as éticas helenistas:
1.       Transitoriedade: O Cohélet considera tudo na vida como transitório (Ecl 1,2). As gerações se sucedem, mas a terra permanece a mesma (1,3). Marco Aurélio compartilha este pensamento estóico dizendo que tudo ao mesmo desde sempre, não importa e alguém vive cem ou duzentos anos (Med., II, 14).
2.       Não há legado. A morte de algum modo é boa porque faz cessar o sofrimento. O Cohélet reclama que a sorte dos mortos é melhor do que dos vivos. O homem e o animal têm o mesmo destino (Ecl 3, 19). Epicuro de Samos também aconselha para não temermos a morte justamente por ela ser a extinção de todas as sensações. Cícero, um pensador eclético, considera igualmente a morte como um bem.
3.       Acúmulo de bens. Não há vantagem em ser rico e conquistar muitas coisas, tudo é vaidade (Ec2). O sábio e o insensato têm o mesmo destino.Além disso, a morte é o destino certo para os bons e os maus (Ecl 9,2). O Cohélet louva a obediência aos mandamentos e o estóico e epicurista, a razão.
4.       O prazer é o fundamento da felicidade. Segundo o Cohélet, “a felicidade do homem é comer e beber” (Ecl 2,3). Esta constatação coincide com os fundamentos do epicurismo. Epicuro defendia que o prazer era o princípio da felicidade. O Cohélet repete esta fórmula mais duas vezes: “não há felicidade a não ser no prazer e no bem-estar” (Ecl 3,12); “não existe felicidade para o homem debaixo do sol, a não ser o comer, o beber e o alegrar-se” (Ecl 8,15). A mesma alternativa aparece, indiretamente, uma terceira vez, quando ele afirma que resta ao homem comer, beber, alegrar-se, perfumar-se e desfrutar com sua amada (Ecl9, 7-9).
5.       O controle das emoções.  A agitação do desejo traz sofrimento. Mas vale contar com o que se tem diante dos olhos (Ecl 6,9). O estoicismo possui o conceito de representação. Não devemos nos prender na representação, na expectativa que fazemos do mundo. A realidade não obedece nossos desejos.
6.       A importância da sabedoria. O conhecimento e a reflexão ajudam a reconhecer o mal (Ecl 7, 26). Seguir os mandamentos é a solução da vida virtuosa (Ecl 8,5). Os epicuristas e os estoicistas consideram que a razão e a reflexão auxiliam o homem a viver uma vida moral correta. Para Cícero, a vida virtuosa é inclinar-se para os bens verdadeiros.
Concluindo, o Cohélet concorda com o epicurismo ao colocar a felicidade nos prazeres naturais como a comida e a bebida. Assim como a reflexão é importante para os filósofos helenistas, observar os mandamentos também é importante para o Cohélet. Com o estoicismo, o Cohélet compartilha a idéia de que não se deve apegar aos prazeres e as vantagens do mundo porque tudo é vaidade. Todas as nossas conquistas serão apagadas com a morte. Muito desejo causa sofrimento. Portanto, o homem deve se contentar com os prazeres naturais e observar os mandamentos para viver bem.

Textos:

Bíblia de Jerusalém.
GAMMIE, John. Stoicism and Anti-Stoicism in Qoheleth.Tulsa, p. 174


[1]GAMMIE, John. Stoicism and Anti-Stoicism in Qoheleth.Tulsa, p. 174.
[2]GAMMIE, John. Stoicism and Anti-Stoicism in Qoheleth.Tulsa, p. 174.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Entrevista ao jornal Diário de Caratinga sobre meu livro

         
         A edição do jornal Diário de Caratinga de 13 de janeiro trouxe uma entrevista comigo a respeito do livro que acabei de lançar, "O Evangelho de Tomé: A Outra Face de Jesus". Na entrevista falei a respeito do livro e de algumas temas relacionados aos evangelhos apócrifos.

Segue link da matéria: https://diariodecaratinga.com.br/o-evangelho-de-tome-a-outra-face-de-jesus/


sábado, 21 de dezembro de 2019

Apresentação do livro "O Evangelho de Tomé: A Outra Face de Jesus"


Neste vídeo, apresento meu livro "O Evangelho de Tomé: A Outra Face de Jesus" publicado pela Fonte Editorial. Para adquiri-lo entre em contato pelo e-mail: joaristides@gmail.com.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Tomé na Índia


EM 72 DEPOIS DE CRISTO, O APÓSTOLO TOMÉ ERA MARTIRIZADO
 NA ÍNDIA

David B. Green
 
Martírio de Tomé, pintura de Peter Paul Rubens de 1636.
A 21 de dezembro do ano 72 depois de Cristo se deu o martírio de Tomé, o Apóstolo, de acordo com a tradição de várias igrejas cristãs. Como todos os 12 apóstolos, ou discípulos de Jesus, Tomé era um judeu praticante e recebeu a missão de seu mentor de espalhar seus ensinamentos, tanto entre judeus quanto entre gentios.
Tanto no Evangelho de João como nos Atos de Tomé, Tomé é descrito como “Tomé, que se chama Dídimo”, uma redundância, pois “Tomé” vem da palavra aramaica teoma, significando "gêmeo" (em hebraico, é te'om), para o qual a palavra em grego é didymos.
Não está claro nem nos Evangelhos, escritos no final do século I, nem nos Atos de Tomé, do século II, de quem ele seria gêmeo, mas existem várias referências em fontes clássicas que sugerem que ele era o irmão do apóstolo Judas (filho de Tiago) ou do próprio Jesus.
Nenhuma das fontes nos fala sobre as origens de Tomé, mas, como os outros apóstolos, presume-se que ele veio da Galileia, como Jesus, e que voltou para lá para ensinar após a morte de Jesus.

Você acredita?

Tomé foi considerado um cético porque se recusou a acreditar nos relatos de visões de um Jesus ressuscitado até que, de acordo com João 20,25, seu mestre lhe apareceu e ele tem oportunidade de tocar as marcas de suas feridas. Quando Jesus aparece a Tomé, este o chama de “meu Senhor e meu Deus”, e Jesus parece zombar dele gentilmente quando responde: “Você acreditou porque me viu? Bem-aventurados os que não visto e ainda crer.” (João 20,29).
Antes, quando seu mestre lhe disse que partiria em breve para preparar um lar no céu para seus seguidores, que se juntarão a ele um dia, o prático Thomas diz: “Senhor, não sabemos para onde você está indo; como podemos saber o caminho? "(João 14,5).
A designação de 21 de dezembro como a data da morte de Tomé é derivada de uma tradição na qual qualquer pessoa que se encaixa na descrição de um “Tomé que duvida” pode ter alguma dificuldade em dar crédito.

Sacerdotes de Kali

Uma tradição tardia vê Tomé como aquele que levou o evangelho de Jesus ao subcontinente indiano, primeiro ao reino noroeste de Gondoforo. Então, de acordo com os Atos de Tomás do século III, no ano 52, o apóstolo navegou, na companhia de um viajante judeu chamado Abanes, até o extremo sul da Índia, até o porto de Muziris, atual Pattanam, no Estado de Kerala.
Kerala já tinha naquela época uma comunidade judaica. Uma obra do século XVII chamada Thomma Parvam (Canções de Tomé) diz que ele converteu 40 judeus na sua chegada, juntamente com 3 mil hindus de origem brâmane.
Os historiadores modernos acreditam que o cristianismo chegou à Índia vários séculos após a época do Tomé histórico, com a chegada de cristãos da Síria e de Perisa.
O martírio de Tomé, no entanto, ocorreu não na costa oeste da Índia, mas do outro lado do subcontinente, na cidade de Mylapore, no sudeste, perto de Chennai. Lá, Tomé entrou em conflito com os sacerdotes hindus de Kali, que o mataram por insultar sua divindade - ou simplesmente por converter muitos de seus seguidores. (Marco Polo, no século XIII, soube que Tomé havia morrido, mais de um milênio antes, quando um arqueiro caçando pavões acidentalmente o matou.)
Seus ossos foram então trazidos para a cidade de Mylapore e enterrados dentro de uma igreja que ele já havia construído lá, onde no século XVI, exploradores portugueses construíram a Basílica de São Tomé, que foi reconstruída pelos britânicos em 1893.
Hoje, 21 de dezembro ainda é observado como o dia da festa de São Tomé em algumas igrejas protestantes e entre católicos tradicionalistas. Na Igreja Católica Romana, no entanto, o dia da festa foi transferido, em 1960, para 3 de julho, para não interferir nos dias que antecederam o Natal, em 25 de dezembro.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Saint Thomas came to South America


SAINT THOMAS CAME TO SOUTH AMERICA:
 THE LEGEND OF PAY SUMÉ

José Aristides da Silva Gamito

Pay Sumé.

        After the death of Jesus, the apostles depart to all nations following what their Master said:  “Go, therefore, and make disciples of all nations.” The Acts of Apostles tells us the story of missionary journeys of Paul and also it tells about the beginning of the Church in Asia and Rome. Peter and Paul are the main characters in the Acts of Apostles. Some years later, in addition to this source many other acts about the destiny of apostles emerged.
The Gospel of Thomas Studies inspired me to set up a relationship between the traditions of the Apostle Thomas and Brazilian indigenous mythology. Thomas is traditionally believed to sailed to India in 52. And he spread the Christianity in Indian state of Kerala. A local tradition believes that Thomas established seven churches in Kerala.
There are different traditions that connect Thomas to Syria, Parthia and India. Eusebius of Caesarea reports that the apostle preached to the Parthians. The Acts of Thomas introduces Thomas as the missionary of India. Another tradition connects his name to Edessa city, in Syria. If you join these traditions it’s possible to thinking that Thomas departs from Syria to Eastern nations.
I just made this introduction to talk about a striking coincidence. There is an indigenous legend in Brazil called Pay Sumé (literally, “Father Thomas”).[1] Thomas is translated into Portuguese as “Tomé”. Sumé is similar to Tomé.[2] When the Jesuit priest Manuel da Nóbrega arrived in Brazil, he heard an important story about some god. Pay Sumé came from the Atlantic Ocean and taught agriculture, fishing techniques and moral rules to indigenous peoples.[3] He did many miracles. But some caciques conspired against Sumé and they tried to kill him. Sumé disappeared at sea.
In Brazilian religious syncretism, the people mixed the two characters (Thomas and Sumé) by Jesuits’ influence. Firstly, the American continent was called India. The information about the journey of Saint Thomas to India was propitious for colonizers to develop this legend.

References

HERRERA-SOBEK, Maria (2012). Celebrating Latino Folklore: An Encyclopedia of Cultural Traditions. [S.l.].

NAVARRO, E. A. Dicionário de Tupi Antigo: a Língua Indígena Clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013.


[1] HERRERA-SOBEK, Maria (2012). Celebrating Latino Folklore: An Encyclopedia of Cultural Traditions. [S.l.]: ABC-CLIO. 1329 páginas.
[2] Sumé is a name from Old Tupi Language. Pay is a borrowed word from Portuguese and means “Father”.
[3] NAVARRO, E. A. Dicionário de Tupi Antigo: a Língua Indígena Clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 448.